A
importância das Organizações Internacionais na agenda das Relações
Internacionais e a busca brasileira por maior relevância dentro da ONU.
Resumo
Hoje
em dia o mundo está muito descentralizado, porém o instinto de cooperação é
predominante, principalmente para que os estados consigam concretizar seus
objetivos. Neste processo o papel das organizações internacionais é crucial
para manter as interações de forma ordenada, sendo a ONU o principal organismo
internacional nos dias de hoje. Para o Brasil essas interações são peças chaves
para a aplicação de sua política externa, sendo o Conselho de Segurança da ONU
a maior prioridade.
Palavras
chave: ONU, Brasil, Conselho de Segurança, Política externa, Organismos
internacionais.
Abstract
Nowadays the world is highly decentralized, but the instinct of cooperation is prevalent, particularly for states to be able to achieve your goals. In this process the role of international organizations is crucial to keep the interactions in an orderly manner, with the UN main international body these days. For Brazil, these interactions are key to the implementation of its foreign policy pieces, with the UN Security Council the highest priority.
Nowadays the world is highly decentralized, but the instinct of cooperation is prevalent, particularly for states to be able to achieve your goals. In this process the role of international organizations is crucial to keep the interactions in an orderly manner, with the UN main international body these days. For Brazil, these interactions are key to the implementation of its foreign policy pieces, with the UN Security Council the highest priority.
Keywords:
UN, Brazil, Security Council, Foreign Policy, International Organizations.
1.
Introdução
Este
Artigo tem como objetivo, evidenciar as constantes buscas brasileira em buscar
relevância dentro da ONU, especificamente no conselho de segurança. Mostrando
as diferenças entre as políticas dos governos Dilma e Lula a respeito do modo
em que essa busca se dá.
Durante
o Capitulo dois será explicado o contexto histórico da Criação das Organizações
Internacionais passando antes pela liga das nações, até o surgimento da ONU
explicando brevemente seu modo de organização e influência no mundo.
No
capitulo três, passará pelas interações entre o Brasil e a ONU, desde seu
ingresso na organização até a intenção de preencher uma cadeira permanente no
conselho de segurança, tentando estabelecer uma conexão com suas políticas
externas, e seu objetivo de criar uma hegemonia entre os países da américa do
sul. E por fim a conclusão.
2.
Evolução histórica das organizações internacionais
Para
chegar aos conceitos organizacionais de hoje, precisamos entender o modo como
se deu a história das principais organizações internacionais, começado no
pós-primeira guerra, onde o pensamento reacionário baseado no idealismo tomou
uma grande forma através do então presidente americano Woodrow Wilson, que
então criou a Liga das Nações. E também a criação do ONU após a segunda guerra
mundial, já com maior maturidade e firmeza em sua implementação.
2.1
A criação da Liga das Nações
Com
o final da Primeira Guerra, o cenário mundial era de visível fadiga por parte
dos Estados em relação ao sistema diplomático vigente, que se baseavam em
guerras. A traumática Grande Guerra, deixará muitos buracos na economia
europeia que lentamente ia se reerguendo.
O
tratado de Versalhes, que definiu as “Punições” para os derrotados na Guerra
também instituiu uma percepção de paz. Percepção essa que fora personificada
pelo então presidente americano Woodrow Wilson, que com um pensamento
ideológico, baseado nos conceitos de Thomas More “A Utopia”, Abade de
Saint-Pierre entre outros, criou catorze pontos, que se tornaram referência
para o pensamento ideológico.
Wilson
estava justamente cansado do sistema em que os estados se convergiam até então,
instituindo conceitos de, boa diplomacia; tratados econômicos; livre navegação
entre os Estados, entre outros.
O
seu décimo quarto ponto dizia “que seria fundamental a criação de uma organização
internacional baseada na estrita observação do direito internacional como forma
de garantir a paz mundial. ”
Assim
em Janeiro de 1919, pelo tratado de Versalhes, foi instalada a Liga das Nações,
um sistema baseado nos conceitos ideais de Wilson.
Sua
organização foi estabelecida na cidade de Genebra e funcionava da seguinte
forma:
“A Liga das Nações era organizada de uma
maneira bem semelhante à da atual ONU, sendo composta de um Secretariado,
Assembleia Geral, e um Conselho Executivo (semelhante ao Conselho de Segurança
atual da ONU).
O Secretariado Permanente, era composto de
um corpo de especialistas em diversos assuntos de relações internacionais e
capitaneado por um Secretário Geral, como na ONU de hoje.
Já a Assembleia Geral compreendia
representantes de todos os países que integravam o sistema da Liga. O órgão
reunia-se anualmente, e cada um tinha direito a um voto.
No Conselho Executivo estavam as potências
vitoriosas da Primeira Guerra Mundial, a saber: Grã-Bretanha, França, Itália,
Japão e mais tarde Alemanha e União Soviética.
Assim como no sistema atual da ONU, membros não permanentes
compunham o tal Conselho Executivo por determinado período, mediante voto,
cedendo sua posição mais tarde a outro país escolhido, realizando assim um
rodízio permanente. ( http://www.infoescola.com/historia/liga-das-nacoes/)
Apesar de Wilson ter
alimentado muito fortemente a ideia e a criação da Liga das Nações, o país não
era participante da organização, uma vez que o congresso americano entendia que
o ingresso na liga significaria mudar a política externa tradicional do país.
Um ponto importante de se
levantar em relação à Liga das Nações, é que diferente da ONU, ela não dispunha
de um corpo militar, por tanto, sua forma de fazer a manutenção da paz, era
através de sanções econômicas e militares.
Os esforços para que a Liga
continuasse foram em vão uma vez que essa falhou em impedir com que a Segunda
Guerra Mundial eclodisse, com isso a organização se desfez em 1946.
2.2 O surgimento da ONU
O sentimento de
necessidade de organização que dominou o mundo a pós o desastre da segunda guerra
mundial, foi o impulso para que a ONU (Organização das Nações Unidas) tomasse
forma. Começando a existir oficialmente no dia 24 de outubro de 1945, a ONU foi
resultante de muitos esforços das nações mundiais na constante luta contra a
anarquia do sistema internacional. Segundo o site oficial da ONU sua criação se
deu durante dezenas de horas de negociações entre as nações participantes.
“...Foram necessários anos de planejamento e
dezenas de horas de discussões antes do surgimento da Organização.
O nome Nações Unidas foi concebido pelo
presidente norte-americano Franklin Roosevelt e utilizado pela primeira vez na
Declaração das Nações Unidas, de 1º de janeiro de 1942, quando os
representantes de 26 países assumiram o compromisso de que seus governos
continuariam lutando contra as potências do Eixo.
A Carta das Nações Unidas foi elaborada
pelos representantes de 50 países presentes à Conferência sobre Organização
Internacional, que se reuniu em São Francisco de 25 de abril a 26 de junho de
1945.
As Nações Unidas, entretanto, começaram a
existir oficialmente em 24 de outubro de 1945, após a ratificação da Carta por
China, Estados Unidos, França, Reino Unido e a ex-União Soviética, bem como
pela maioria dos signatários. O 24 de Outubro é comemorado em todo o mundo como
o “Dia das Nações Unidas”.
A ONU tem sua estrutura
central nos Estados Unidos, na cidade de Nova York e com sedes em Genebra
(Suíça), Viena (Áustria), Nairóbi (Quênia), Addis Abeba (Etiópia), Bangcoc
(Tailândia), Beirute (Líbano) e Santiago (Chile), além de escritórios
espalhados em grande parte do mundo.
No dia de sua criação foi
estipulado através da Carta da ONU que para melhor comunicação entre todos os
países participantes se comunicariam em seis línguas diferentes inglês,
francês, espanhol, árabe, chinês e russo. A sua organização se baseia em seis
órgão principais também definidos na Carta da ONU; A Assembleia Geral, o
Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, a
Corte Internacional de Justiça e o Secretariado.
3. Brasil e a ONU
O Brasil tem
representações permanentes na ONU, em quatro cidades sedes; nas cidades de Nova
York (Estados Unidos), Genebra (Suíça), Roma (Itália) e Paris (França). Essa
interação começou em 1990, quando uma das primeiras conferências da ONU em Nova
Iorque, onde foram debatidos os direitos das crianças, sendo conhecido como a
Cúpula mundial sobre a Criança, 159 países participaram, dentre ele o Brasil,
que procurava buscar sua relevância dentro da ONU. Conforme o autor Virgílio
Arraes do livro “Relações Internacionais do Brasil temas e agendas”
“...Realizada durante apenas dois dias, nela
se subscreveria, de certo modo, o teor da Convenção dos direitos da Criança, do
ano anterior, cuja composição exerceria influência sobre a legislação
brasileira que se renovava por meio do processo constituinte. Assim, os Artigos
227 e 228 do Capítulo VII – DA Família, Da Criança, Do Adolescente e Do Idoso -
da futura Constituição e o Estatuto da Criança e Adolescente, de Julho de 1990,
seriam inspirados pelo seu conteúdo. (Arrraes, p. 9)
É possível
observar logo de início as influencias exercidas pela ONU nos países
envolvidos, uma vez que suas reuniões e acordos servem de inspiração para a
definição de leis. Além de o Brasil estar buscando sua relevância nas
conferências da ONU, o país se ofereceu ainda em 1988 para sediar um encontro
ambiental, somente em Junho de 1992, aconteceu a conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, também chamada de Cúpula da Terra ou
Rio-92, que visou definir alguns conceitos sobre desenvolvimento sustentável
dos estados e emitiu alguns documentos relevantes ao tema. Desta forma é
possível perceber o interesse brasileiro, em adquirir maior influência no
cenário agora predominante.
A
interdependência dos países se tornou muito forte a partir da criação da ONU,
as percepções de cooperação eram e ainda são fatores de extrema importância
para o crescimento dos estados. Esse contexto é muito bem analisado pela teoria
neoliberal das relações internacionais, no livro “Teoria de Relações
Internacionais” o autor Gilberto Sarfati explica a questão da
institucionalização dos estados.
“...Para a Teoria Neoliberal
Institucionalista,1 os Estados seguem sendo os principais atores das relações
internacionais, além disso, o sistema internacional é considerado descentralizado,
ou seja, todos são iguais entre si e ninguém tem de obedecer a ninguém
(anarquia). No entanto, o mundo moderno das relações internacionais não pode
ser caracterizado pelo caos e pelo estado de natureza de guerra, que Hobbes
havia imaginado no século XVII, porque esse mundo moderno tem algum grau de
ordenamento, caracterizado pelas instituições internacionais. Portanto, segundo
Keohane,2 para compreendermos o mundo moderno, devemos manter em mente os
conceitos de descentralização e institucionalização. A institucionalização é
definida como regras estabelecidas, normas, convenções, reconhecimento
diplomático, governados por entendimentos formais ou não-formais. A anarquia
descrita por Waltz como característica central do sistema internacional não
pode ser entendida de forma isolada, pois grande parte do comportamento dos Estados
é ditada pelo grau de institucionalização no relacionamento entre eles.
A hipótese básica da corrente é a de que a
habilidade dos Estados de se comunicar e cooperar depende da construção de
instituições que podem variar em termos de suas naturezas e força. (Sarfati, p.
156)”
Sendo essas interações
institucionais importantes para definir o que será afetado nas relações como o
fluxo de informações e as oportunidades de negociações; a habilidade dos
governos de monitorar os compromissos assumidos pelos outros países; a
expectativa sobre a solidez dos acordos internacionais.
3.1 Intenções
Como vimos anteriormente
o Brasil tem realmente grandes interesses em assumir um papel mais relevante em
relação a ONU, uma das maiores intensões é ocupar uma cadeira permanente no
conselho de segurança da organização. Visa pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (2002-2010) e continuado durante o governo Dilma. A intenção durante o
governo Lula era altamente divulgada porém com a atual presidente, a estratégia
é outra.
“A vaga permanente segue sendo um de nossos
pleitos prioritários, mas o assunto não é tratado no dia a dia, mas sim de
forma subterrânea. Se você deixa como prioridade publicamente, vira objeto de
chantagem e tem que fazer concessões constantes”, argumentou Guilherme de
Aguiar Patriota, assessor de Dilma para assuntos internacionais. (http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30071/brasil+muda+estrategia+por+vaga+permanente+no+conselho+de+seguranca+da+onu.shtml)”
Segundo a citação
a cima, retirada do site Opera Mundi, o Brasil ainda prioriza os esforços em
torno do objetivo de conseguir uma cadeira permanente no conselho de segurança,
porém é visível a mudança de perspectivas, Dilma diferente de Lula, procura
deixar essa busca mais natural, esperando acontecer espontaneamente durante seu
mandato. Por esse motivo principalmente é que O Brasil mantem missões no Haiti
e no Congo. Sendo a missão no Haiti a mais importante do Brasil.
“A participação brasileira em missões de paz se destaca
por ser um importante componente da estratégia de inserção internacional do
país e pelas características próprias de sua atuação, marcada por ações
conjuntas entre a diplomacia e a defesa.
A estratégia de estabilização do Haiti, onde o Brasil
possui o comando militar da missão da ONU desde 2004, é ilustrativa dessa
abordagem.
Baseada no tripé segurança, estabilidade e
desenvolvimento, a atuação brasileira se destaca pela quantidade de projetos
sociais implementados pela embaixada, pela cooperação técnica, principalmente
na área de infraestrutura, e pela presença marcante de tropas brasileiras
dedicadas à manutenção de um ambiente seguro e estável no país.
Essa estratégia está em linha com a política exterior do
país, que enfatiza não somente as questões de segurança imediatas, mas também
as causas profundas que geram conflito e violência no ambiente internacional.
As ações contribuem para a estabilidade do Haiti e para o bem estar da
população local, com preocupações especiais com questões econômicas e de
desenvolvimento. (http://www.cartacapital.com.br/internacional/o-brasil-em-missoes-de-paz-contribuicoes-e-desafios-4118.html)
.
Mais o que
significa conseguir essa cadeira no conselho? Analisando as atuais tomadas de
decisões brasileiras em torno do MERCOSUL, tentando trazer a Bolívia para o
bloco e intensificando negociações com países da américa do sul, entendemos que
o país busca estabelecer uma hegemonia entre os países sul-americanos buscando
ser uma referência econômica. O ingresso brasileiro permanente no conselho de
segurança, significaria maior eficácia em estabelecer tais objetivos.
4. Conclusão
Neste artigo
foram apresentados os elementos que tornam as organizações internacionais
importantes para os estados, explicando o seu surgimento desde a liga das
nações de Woodrow Wilson, até a ONU. Foram também expostas as interações
brasileiras com a ONU e o interesse em ocupar uma vaga no conselho de
segurança.
A importância
desta posição para o Brasil, deixa explicita a prioridade em empenhar-se para o
ingresso no conselho, para o Brasil é claro o benefício à sua política externa,
além de ajudar a estabelecer a hegemonia brasileira nas terras sul-americanas.
Referências
SION,
Vitor Brasil muda estratégia por vaga permanente no
Conselho de Segurança da ONU. Opera
Mundi, 17 Jun. 2013. Disponível em: <http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30071/brasil+muda+estrategia+por+vaga+permanente+no+conselho+de+seguranca+da+onu.shtml>. Acesso
em: 20 Mai. 2014.
Veja.com, Set. 2018. Disponível em:
<http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/conselho-seguranca-onu/index.shtml#topo>. Acesso
em: 20 Mai. 2014.
A
história da Organização. ONU.org, Disponível em: < http://www.onu.org.br/conheca-a-onu/a-historia-da-organizacao/>. Acesso
em: 19 Mai. 2014.
SANTIAGO,
Emerson. Liga das Nações. Info Escola, Disponível em: : <http://www.infoescola.com/historia/liga-das-nacoes/>. Acesso
em: 18 Mai. 2014.
O
Brasil em missões de paz: contribuições e desafios. Carta Capital, 17
Jun 2013, Disponível em: : <
http://www.cartacapital.com.br/internacional/o-brasil-em-missoes-de-paz-contribuicoes-e-desafios-4118.html>. Acesso
em: 18 Mai. 2014
Bibliografia
Consultada
OLIVEIRA, Henrique Altemani de e LESSA,
Antônio Carlos. Relações Internacionais do Brasil: temas e agendas v.2. São
Paulo: Saraiva, 2006. 491 p.
SEITENFUS, Ricardo Antônio Silva. Relações
Internacionais. Barueri: Manole, 2004. 267 p.
SARFATI, Gilberto. Teoria das
relações internacionais / Gilberto sarfati. São Paulo: Saraiva, 2005. 383
p.
[1] UNIP -
Instituto de Ciências Sociais e Tecnologia. Campus Magalhães Teixeira –
Campinas, SP. Bacharelado em Relações Internacionais, 2º. Semestre noturno,
sala D001. Gabriel Thadeu Vitorino Oliveira – RA B67AAG-0 – E-mail
gabrielthadeu@outlook.com
[2] UNIP -
Instituto de Ciências Sociais e Tecnologia. Campus Magalhães Teixeira –
Campinas, SP. Professor (MsC, Dr, Esp) Rui Marquez.
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