segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Artigo do Tabuleiro #2

Inovação e seu Impacto nas relações políticas e comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Gabriel Oliveira[1]
Mauricio Cassar[2]


Resumo

Este trabalho tem como objetivo analisar o impacto político e econômico, provenientes da inovação e do investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), como os países investem e lidam com a inovação da propriedade intelectual, e a perspectiva brasileira sobre o mercado atual. Como a inovação interfere nas relações políticas entre Brasil e Estados Unidos.

Palavras chave: Inovação. Relação comercial. Brasil. EUA. Politicas



 1. Introdução

 O objetivo deste trabalho é analisar o papel da inovação, e da pesquisa e desenvolvimento (P&D) na economia e nas relações políticas internacionais, especialmente entre Brasil e Estados Unidos. Definindo os conceitos mais importantes de inovação em vários aspectos. Segundo a definição de Fabio Mendes Marzano no livro “políticas de inovação no brasil e nos estados unidos: a busca da competitividade – oportunidades para a ação diplomática”


“Inovação
Um dos trechos mais citados de Teoria do Desenvolvimento Econômico foi também dos mais difíceis para Schumpeter, que, conforme averiguou McCraw nas notas deixadas pelo economista, “deu-se um imenso trabalho para ser preciso – revisando, condensando, numerando e procurando clarificar os pensamentos que haviam permanecido obscuros nos primeiros rascunhos”55. Nele, o austríaco define os cinco tipos básicos de inovação56:
1. Introdução de um novo produto – com o qual os consumidores ainda não se encontram familiarizados – ou de um novo tipo de produto;
2. Introdução de um novo método de produção, não necessariamente baseado numa nova descoberta científica, que pode consistir numa nova maneira de comercializar determinado produto;
3. Abertura de um novo mercado, no qual o segmento manufatureiro específico do país em questão não houvesse atuado previamente, independentemente de que esse mercado existisse ou não;
4. Obtenção de uma nova fonte de matérias-primas ou bens semimanufaturados, independentemente, também, de que tal fonte existisse previamente; e
5. Reorganização de qualquer setor da indústria, mediante a obtenção (através da formação de trustes, por exemplo) ou a quebra de uma posição monopolística”. (MARZANO, 2011, p. 42)

A inovação tem um papel crucial para o desenvolvimento de fatores que impulsionam a economia de um país, uma vez que ela aumenta exponencialmente as margens de lucro, a possibilidade de novos mercados, abertura comercial e o faturamento de países e empresas. A inovação, também, contribui para a diminuição da dependência externa e ajuda a movimentar a economia interna. Novos negócios possibilitam o crescimento em vários âmbitos, como por exemplo na geração de empregos, maior circulação e distribuição de renda, promoção de bens e serviços à sociedade e credibilidade no mercado.
Em uma visão governamental a inovação pode significar uma fonte de poder político e econômico, pode significar também poder de barganha nas mais diversas transações. A era nuclear significou um grande crescimento mundial recorrente da inovação tecnológica, vinda dos grandes esforços dos EUA e da URSS para se equilibrarem politicamente e economicamente. A necessidade de se armarem com um arsenal nuclear para se proteger foi o foco da era e proporcionou todo o desenvolvimento que beneficiou a geração seguinte.
 Todas essas possibilidades que circundam a inovação, fazem dela um fator de grande importância na economia de um pais, não só para o aumento de circulação monetária, mas também na questão social, onde os investimentos podem resultar em grandes inventos e em iniciativas de empreendedorismo. Aliais, é no ramo de empreendedorismo que a inovação se torna ferramenta primordial na busca do sucesso, empresas como a Google e a Apple investem em inovação em tempo integral, fazendo disso um pilar de sustentação, uma medida importante, principalmente devido ao crescente desenvolvimento mundial nas tecnologias de comunicação e informação. As startups, são iniciativas crucias apara o desenvolvimento privado da inovação, para um pais o investimento em incentivos a este tipo de empreendimento promovem um maior desenvolvimento. Durante uma reunião no Palácio do Planalto em um anuncio da criação de novos programas de incentivo a inovação no Brasil, a presidente Dilma Rousseff falou sobre a importância deste tipo de investimento...


“Quero destacar a importância de apoiar as micro e pequenas indústrias inovadoras. No Brasil, como outros países, uma das questões essenciais colocadas é justamente a valorização das pequenas e micro empresas, principalmente por conta das startups”. (Convergência Digital, 2013)




2. O papel da P&D e da inovação da propriedade intelectual na visão do Estado

A propriedade intelectual consiste em definições concretas de que inventores e responsáveis por alguma criação(Inovação) proveniente do intelecto, englobando os domínios industriais, científicos, literários e artísticos, o direito de posse e recompensa (pelo menos por algum período) pela própria criação.
A criação de direitos constituintes que abrangem a propriedade intelectual tem como principal objetivo o incentivo à criação. Essa propriedade é garantida pelo estado, portanto, divergindo de estado para estado.
Em geral os direitos relacionados ao tema são alinhados entre a comunidade internacional, porem a “demanda de criação” também é variável, ou seja, os centros de criação como os Estados Unidos, por exemplo, tendem a criar um sistema de leis que se encaixa de melhor maneira possível no contexto cultural e histórico do país.
Nos estados unidos na década de 50 até 2011, foi utilizado o princípio do “primeiro a inventar”, concedendo o direito a quem provasse ter sido o criador do invento, não considerando a data do pedido da patente. Uma recente sanção do presidente Barack Obama, mudou essa perspectiva alinhando sua constituição com o restante do mundo.
No Brasil a lei de patentes de 1996 segue os padrões internacionais onde parte do princípio de “se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o depósito mais antigo independente das datas de invenção ou criação”.
A proteção intelectual é uma importante ferramenta na garantia de estimulo à criação e inovação, incentivo esse que é crucial para a criação de fatores de produção que consequentemente tem um impacto forte na economia.
O fator de produção tecnológico é o que gera mais riquezas a um estado, devido ao grande valor agregado.



Pesquisa e desenvolvimento (P&D) são investimentos provenientes de iniciativa pública e privada no incentivo à criação de novas tecnologias e desenvolvimento de novas técnicas que resultem num maior crescimento econômico social, e corporativo.
Os países emergentes estão expostos a concorrência acirrada entre os países mais desenvolvidos, porém em geral não tem grande capacidade na produção de novas tecnologias.
Em 1997, 80% do comércio global de produtos de alta tecnologia se originavam na Europa, Estados Unidos e Japão; e 92% das patentes concedidas no mundo pertenciam a países membros da OCDE (Archibugi & Michie, 1997 apud Bowonder, 2001).
Entretanto, o crescimento dos mercados regionais e a melhoras nas tecnologias de comunicação, do acesso às novas tecnologias, e também a facilidade na locomoção mundial, tem feito as multinacionais investirem cada vez mais em P&D fora de seus países de origem. Normalmente se concentrando em países chave como a China, Brasil, África do Sul e Índia.
A importância do Estado em criar um ambiente favorável para a vinda de multinacionais e investidores é grande demais, daí a importância da criação de medidas de proteção a criação citadas no capitulo 1.
Para o Brasil essa é uma realidade crescente, sendo o sexto país de maior preferência das multinacionais para investir em P&D, os investimentos principalmente voltados para o agronegócio e a biotecnia são os principais alvos das empresas. Isso faz da P&D um fator crucial e importantíssimo para o crescimento econômico. O Brasil segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, investiu em 2011 mais de R$ 49 milhões um crescimento de aproximadamente 48% em relação aos ano 2000 onde foram investidos R$ 12 milhões, isso em relação ao PIB. Em porcentagens foram exatos 1,21% do PIB brasileiro em 2011, um dado importante que nos coloca numa perspectiva baixa de crescimento em relação a outros países emergentes como a Coreia do Sul que investe cerca de 3,5% de seu PIB, e Israel que investe mais de 4% em P&D.
O investimento privado também não fica muito atrás, investindo a baixo do esperado em níveis mundiais, cerca de 0,6% nas pesquisas e desenvolvimentos.
Porém as perspectivas nacionais são promissoras, onde o país tem crescido modestamente no cenário mundial, mais ainda sim os Estados Unidos tem sido responsáveis por 50% da produção de tecnologia mundial, os EUA que historicamente toma a frente no processo de inovação, a partir do final do século 19 e começo do século 20, onde a força de suas inovações ultrapassou a Grã-Bretanha, se tornando a maior potência da época. Seu domínio sempre englobou vários setores da produção, como, aeronáutica, automóvel, defesa, comunicações e energia; até bens de consumo e serviços, como o sabão, fotografia, barbear, entretenimento; e também foi pioneiro em inovações no ensino universitário, na compra de terras e da casa própria, e os direitos individuais. Exercendo um conceito de competitividade internacional, como comentado pelo autor Fabio Mendes Marzano...


“A competitividade internacional tende a ser avaliada pela posição relativa de um país, isto é, por seu desempenho nas transações comerciais com o resto do mundo, o que envolve desde a existência de uma base produtiva exportadora até a capacidade de atração de investimentos estrangeiros diretos. Na visão tradicional das vantagens comparativas ricardianas, a competitividade depende de um aumento da produtividade, que se alcançaria através da especialização em setores nos quais o país possui “vantagens” em relação a outros”. (MARZANO, 2011, p.49)




A pesar de hoje, sua soberania estar ameaçada por outras nações que investem em massa em inovação, como a China e a Coreia do Sul, os EUA ainda tem muita influência em todo mundo, devido ao sua grande cultura presente através de filmes, literatura e produtos tecnológicos de empresas como a Apple, que investem muito em inovação e desenvolvimento de novas formas de tecnologias.


3. Impacto político comercial nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos

Um dos problemas recorrentes da inovação, é um certo monopólio onde países de primeiro mundo dominam, em outras palavras, a inovação está na mão de poucos países que estão no topo de uma “cadeia de produção”. Isso acontece muito pelo fato de o capitalismo proporcionar essa coexistência de consumidor (países de terceiro mundo) e produtor (países desenvolvidos). Um Conceito voltado para a teoria Marxista onde o capitalismo provoca uma desigualdade natural e continua. De certa forma o recente caso de espionagens dos Estados Unidos e relação a outros países mostram a vulnerabilidade dos países emergentes como o Brasil, onde como já dito anteriormente, a inovação está em desenvolvimento, porém, muito fora do ideal.
Neste contesto as relações comerciais e diplomáticas são abaladas, devido a essa subjugação proveniente de outros países. A presidente Dilma, cancelou uma visita aos Estados Unidos no dia 23 de Outubro de 2013, pois cobra explicações por parte dos note americanos referente as denúncias de espionagens no Brasil e com a própria presidente. As relações políticas e diplomáticas estão tensionadas e abaladas.
A confiança diminui por parte de outros países também alvo de espionagens como a Alemanha, em um texto publicado no site G1 as líderes do Brasil e da Alemanha, falam sobre o ocorrido.
“Segundo essas informações, a presidente Dilma Rousseff e a chanceler alemã, Angela Merkel, teriam tido suas comunicações monitoradas, junto com as de milhões de outros cidadãos.
Brasil e Alemanha apresentaram a proposta de resolução ao Terceiro Comitê da Assembleia-Geral da ONU, que trata de questões de direitos humanos. A comissão deve votar a proposta no final do mês, e depois ela deve ser levada ao plenário dos 193 países, em dezembro, segundo diplomatas.
Mesmo que aprovada, a resolução não terá efeito prático, pois decisões da Assembleia-Geral não são de cumprimento obrigatório.
Falando na quinta-feira ao Terceiro Comitê, o embaixador da Alemanha na ONU, Peter Wittig, disse que "relatos sobre a vigilância maciça de comunicações privadas e a coleta de dados pessoais têm alarmado as pessoas do mundo todo. Elas se fazem uma pergunta legítima: será que o direito delas à privacidade ainda está protegido efetivamente no nosso mundo digital?". (G1)



Os países fizeram uma reclamação formal junto a ONU, pedindo alguma providência referentes aos abusos de espionagem dos EUA.
Apesar do tom ríspido e de desaprovação a presidente brasileira afirma que as relações comerciais entre os países não vão se abalar. É interessante, neste caso observar o poder que a inovação pode proporcionar juntamente com a P&D, e sua influência nas relações políticas e comerciais.


4. Considerações finais

Os conceitos de inovação englobam muitos fatores políticos e econômicos, o investimento em inovação traz uma série de melhorias para o pais, é importante que o estado promova um ambiente favorável para este desenvolvimento, as universidades e institutos de pesquisa são ferramentas essenciais, e indispensáveis para estados que querem obter mais inovação tecnológica, aumentando as possibilidades de emprego e novos negócios. A inovação tem muitas consequências boas, porém ela causa uma certa tensão internacional no que diz respeito a acesso a essas inovações, as desigualdades provenientes do sistema capitalista, trazem à tona a soberania de estados que subjugam e utilizam desta diferença para conseguir informações privilegiadas, como citado no capítulo anterior, os Estados Unidos no recente caso de espionagem contra o Brasil. Apesar de os estados envolvidos não quererem causar um mal estar econômico e político, anda se tem uma desconfiança que abala as relações entre os países.
A inovação deve ser tratada como um fator essencial para todos os países terem acesso à novas tecnologias, porém o capitalismo deixa essa inovação nas mãos de poucos.




Referências

GROSSMANN, Luís Osvaldo. Para Dilma, Startups têm papel essencial na inovação. Convergência Digital, 14 Mar. 2013. Disponível em: <http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=33258&sid=3#.Un-rQvnryy8>. Acesso em: 08 Nov. 2013.

ORSI, Carlos. EUA reformam lei de patentes após 60 anos. Inovação, 19 Ago. 2011. Disponível em: < http://www.inovacao.unicamp.br/destaques/eua-reformam-lei-de-patentes-apos-60-anos>. Acesso em: 05 Nov. 2013.
CARVALHO, Davi. Que país investe mais em P&D. Facti, Disponível em: <http://www.facti.com.br/que-pais-investe-mais-em-pd/>. Acesso em: 05 nov. 2013.

BNDES. Convergência Digital, 14 mar. 2013. Disponível em: <http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=33729&sid=5#.Un-1Vfnryy9>. Acesso em: 06 nov. 2013.

Dispêndio nacional em pesquisa e desenvolvimento (P&D) em valores correntes, em relação ao total de P&D e ao produto interno bruto (PIB), por setor institucional, 2000-2011. Ministério da Ciência e Tecnologia, 05 nov. 2013. Disponível em: <http://www.mct.gov.br/index.php/content/view/29144/Dispendio_nacional_em_pesquisa_e_desenvolvimento_P_D_em_valores_correntes_em_relacao_ao_total_de_P_D_e_ao_produto_interno_bruto_PIB_por_setor_institucional.html>. Acesso em: 05 nov 2013.

JR, Anchieta Dantas. Como o cenário econômico nos EUA influencia o Brasil. Fcdlce, Disponível em: < http://www.fcdlce.com.br/dn-como-o-cenario-economico-nos-eua-influencia-o-brasil>. Acesso em: 06 nov. 2013.

CODO, Sandra. As estratégias de inovação dos EUA, França, Finlândia e Japão. Instituto de estudos avançados, 27 ago. 2013. Disponível em: < http://www.iea.usp.br/noticias/as-estrategias-de-inovacao-dos-eua-franca-finlandia-e-japao>. Acesso em: 04 nov. 2013

Bibliografia Consultada

MARZANO, Fabio Mendes. Políticas de inovação no Brasil e nos Estados Unidos:
A busca da competitividade – oportunidades para a ação
Diplomática. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2011. 304 p.

SEITENFUS, Ricardo Antônio Silva. Relações Internacionais. Barueri: Manole, 2004. 267 p.




[1] UNIP - Instituto de Ciências Sociais e Tecnologia. Campus Magalhães Teixeira – Campinas, SP. Bacharelado em Relações Internacionais, 2º. Semestre noturno, sala D001. Gabriel Thadeu Vitorino Oliveira – RA B67AAG-0 – E-mail gabrielthadeu@outlook.com
[2] UNIP - Instituto de Ciências Sociais e Tecnologia. Campus Magalhães Teixeira – Campinas, SP. Professor (MsC, Dr, Esp) Mauricio Cassar.

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