quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Opinião do Tabuleiro - Reflexões Sobre Uma Não Realide

Cada vez mas nos afastamos de nossa condição natural no mundo.
Celulares Smartfones, internet, computadores, televisões etc, fazem de nossa vida algo cada vez mais distante do real. 
Os avanços tecnológicos buscam sempre trazer novidades que proporcionem experiências que nos aproximam do real. É muito estranha essa nossa necessidade de emular a vida.



Isso é fruto do sistema em que vivemos, onde até mesmo o dinheiro (sistema financeiro) é "fictício". 
Platão, já havia feito esse exercício de pensamento em seu livro  VI de “A República” com a passagem do Mito da Caverna. Ele descreve uma situação onde um grupo de pessoas são colocadas desde o nascimento em uma caverna virados para a parede, apenas podiam contemplar a escuridão, e podiam ver, as vezes, um feixe de luz que projetava sombras nesta parede. A realidade destas pessoas era somente a parede de sombras. Com o tempo essas as pessoas criaram nomes para sombras, perceberam os diferentes padrões de sombras, e se entretinham com elas. 
Até que um dia um homem olha para trás, e caminha até a entrada da caverna, a claridade, que para ele era nova, ofusca seus olhos deixando-o cego por alguns instantes. Após se acostumar com a luz, percebe que havia um mudo muito mais complexo que sua parede de sombras. Ele entende que o sol da vida a tudo, que as sombras são provindas de estatuas e que a vida na caverna era uma ilusão.
Tal situação é muito bem descrita no filme Matrix de 1999, onde a humanidade acredita viver num mundo normal, porém a verdadeira realidade (conhecida por poucos) era outra bem diferente.

Fazendo uma analogia com o mundo de hoje, podemos dizer que somos escravos de uma realidade não verdadeira (pelo menos não mais). Cada vez mais empresas, nobres, políticos etc, insistem em  viver um mundo fora do real, a incessante obsessão pela busca do poder e enriquecimento, não refletem a realidade da sociedade moderna.
É fato que a população de um modo geral vem mudando seu pensamento em relação a determinados assuntos, onde vemos a consciência coletiva nascer com humanidade. As recentes revoltas sociais, não só no Brasil mas no mundo todo, mostram o nascimento de um novo cenário, onde a realidade é outra.
Esse paradigma pode ser evidenciado neste pequeno trecho do poema "Os Mapas" do Poeta argentino Jorge Luís Borges:

"...Naquele império, a Arte da Cartografia alcançou tal Perfeição que o mapa duma Província ocupava uma Cidade inteira, e o mapa do Império uma Província inteira. Com o tempo esses Mapas Desmedidos não bastaram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império, que tinha o Tamanho do Império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos Dedicadas ao Estudo da Cartografia, as Gerações Seguintes decidiram que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedades entregaram-no às Inclemências do Sol e dos Invernos. Nos Desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa habitadas por Animais e Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Geográficas."

No Brasil, a politica (veja bem, a politica no modo geral, não estou falando de partidos) já não representa mais o povo, e quando digo povo, me refiro a grande maioria da população que vive em uma condição complexa, já que os nobres membros que compõem em nosso país os palanques e palácios (do Planalto, da Alvorada, etc) parecem viver a quem da realidade brasileira. Enquanto todos os benefícios somados de um deputado podem chegar a 100.000 reais, a população se esforça para caber dentro de um ônibus.
Claro não posso generalizar, há sim aqueles que parecem ter ouvido os estardalhaços e saído, em fim, de suas cavernas, enxergando a verdadeira realidade, dura e sofrida. 

Talvez o que nos falta seja mais simplicidade, menos glamorizarão. Como o ex-presidente uruguaio, José Mujica, que com sua raiz de agricultor humilde, da um show de simplicidade ao dizer que "é preciso ter decência na politica ". 
Palavras obvias que reverberam nos corações das pessoas que querem do mundo um lugar mais justo, que buscam incessantemente sair de suas cavernas criadas para impedir o progresso de todos.












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